sábado, 21 de novembro de 2015

UM ANJINHO QUE É TIDO COMO SANTO MILAGREIRO por Aline Rickly (Tribuna de Petrópolis)

Um anjinho que é tido como santo milagreiro
por Aline Rickly

Tribuna de Petrópolis - Domingo, 1 de novembro de 2015 - Ano CXIV - Nº 20

Título do jornal e data:

Página de capa:

Detalhe da página de capa:

DIA DE FINADOS

HOMENAGEM - O cuidado com as sepulturas é uma forma de demonstrar o carinho e o amor pelos familiares e amigos que já partiram. O movimento no Cemitério Municipal já era rande ontem na preparação para o dia de finados - Página 11


ANJINHO É LEMBRADO 
É impossível passar pelo cemitério e não notar a sepultura do menino Francisco José Alves Souto Filho, conhecido como Anjinho de Petrópolis. O número de brinquedos impressiona. Página 7

Metade superior da página 7:

Detalhe do texto da reportagem de Aline Rickly:

Quem passa pelo Cemitério Municipal se surpreende com a sepultura 685 ao se deparar com uma grande quantidade de brinquedos espalhados (mais de uma centena entre carrinhos, bolas e bonecos, além de flores). Naquele local, está enterrado Francisco José Alves Souto Filho, que morreu aos 3 meses, no dia 9 de abril de 1872. O menino vem sendo cultuado por petropolitanos que dizem que ele é um santo milagreiro. A criança, que ganhou o apelido de Anjinho de Petrópolis, por causa de uma imagem de um anjo que está colocada em cima do túmulo, é neto do Visconde de Souto, um dos amigos mais próximos de D. Pedro II. Em datas como Dia das Crianças e Finados, a quantidade de brinquedos depositadas na sepultura triplica.


Foto de Marco Oddone

Segundo registros históricos, Francisco José Alves Souto, filho do Visconde de Souto (Antônio José Alves Souto), casou-se pela primeira vez com Maria Luiza de França e Silva, mas não teve filhos. Apenas com a segunda esposa, chamada Maria Lapa de Salles Oliveira é que teve cinco filhos. A informação pode ser contraditória, pois no túmulo de Francisquinho consta que Maria Luiza era sua mãe. Curiosamente na certidão de óbito da criança, que está na Catedral São Pedro de Alcântara, está registrado apenas o nome do pai.
A fama de santo milagreiro veio depois que um senhor, que trabalhava no cemitério, fez um pedido para curar a úlcera. Ao ser atendido, deixou um brinquedo como forma de agradecimento e começou a espalhar a notícia. O baiano, como era conhecido, foi responsável por limpar a sepultura do anjinho por, aproximadamente, três décadas.
Ao pesquisar a história da criança, a Tribuna encontrou, no ano passado, um dos sobrinhos-netos da criança, pertencente à terceira geração da família. Francisco Souto Neto mora em Curitiba e, na época, estava finalizando um livro sobre o Visconde de Souto. A família não tinha conhecimento sobre a existência da criança. “Durante sete anos (entre 2007 e 2014) eu e minha prima Lúcia Helena Souto Martini pesquisamos sobre nosso trisavô e consultamos mais de 600 livros em busca de informações sobre o Visconde e encontramos alguns registros sobre nosso bisavô Francisco José Alves Souto, que era o 6º filho do Visconde de Souto, nascido na Chácara do Souto (bairro São Cristóvão no Rio de Janeiro)”, disse, acrescentando que durante a pesquisa, ele e a prima ficaram curiosos porque o bisavô faleceu muito cedo, com apenas 43 ou 44 anos. “Tentamos, em vão, descobrir a causa da sua morte, mas infelizmente são raríssimos os registros sobre sua vida”.

Francisco Souto Neto e Lúcia Helena Souto Martini,
sobrinhos-netos do Anjinho de Petrópolis

Entretanto, ao revirar os documentos descobriram que em 7 de março de 1868, o bisavô casou-se com Maria Luiza de França e Silva. Enviuvando, casou-se com Maria da Lapa de Salles Oliveira (“de Salles Souto” pelo casamento). “Francisco José e Maria da Lapa tiveram cinco filhos, o último dos quais Francisco Souto Júnior, nosso avô”, comentou.
De acordo com o sobrinho-neto do anjinho, em todas as fontes pesquisadas, não constava a existência de filhos do casamento de Francisco José com a primeira esposa Maria Luiza. “Sem termos como comprovar, imaginamos que ela tivesse morrido talvez vitimada por alguma das epidemias que assolaram o Rio de Janeiro no século 19”, afirmou.
Francisco lembrou que a surpresa foi enorme ao receber a notícia de que o bisavô teve um filho com Maria Luiza. “Com a passagem das décadas, seu túmulo ficou esquecido, e a própria existência do menino tornou-se ignorada e desconhecida pelos descendentes de Francisco José Alves Souto”, lamentou.
Ele avaliou ainda um detalhe interessante que foi o fato do pai do Anjinho dar seu próprio nome acrescido de “Filho”, e que após o segundo casamento, deu novamente seu nome a seu quinto filho, mas agora acrescido de “Júnior”. 
A notícia foi contada a tia Jacyra Souto Martini (mãe de Lúcia Helena), a última de sua geração, que reside em Paulínia (SP). “Ela ficou sensibilizada ao tomar conhecimento de que teve um tio que faleceu ainda bebê, a quem têm sido atribuídos muitos milagres. Eu, particularmente, fiquei surpreso e estou planejando viajar com minha prima a Petrópolis para conhecer o túmulo e nele depositar flores à memória daquele que tem, segundo a fé de cada um, intercedido por milagres, e que se tornou para muitos um caminho de esperança e de luz”, finalizou.
Link desta edição digital:
http://www.tribunadepetropolis.net/Tribuna/index.php/class/21566-um-anjinho-que-e-tido-como-santo-milagreiro.html
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sábado, 31 de outubro de 2015

FRANCISCO SOUTO NETO homenageado como "MELHORES DO ANO 2015"

Francisco Souto Neto homenageado como
"MELHORES DO ANO 2015"

Jornal Água Verde - Ano 24 - Setembro 2015
Diretor-Presidente: José Gil de Almeida

Capa:


Página 3:


Detalhe da página 3:

"O jornalista Francisco Souto Neto foi homenageado pelo seu trabalho na defesa da cultura e preservação da memória dos paranaenses".

Página 4:


Detalhe da página 4:

Dr. Francisco Souto Neto

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ALGUMAS FOTOGRAFIAS DE CONVIDADOS:

Foto 1:

"Festa MELHORES DO ANO 2015": Aramis Chain, Sr. Almeida (pai de José Gil de Almeida), consul da Síria Abdo Abage, vereador Bruno Pessuti e jornalista Nilson Monteiro.

Foto 2:

"Festa MELHORES DO ANO 2015": Homenageado Francisco Souto Neto.

Foto 3:

"Festa MELHORES DO ANO 2015": Rubens Faria Gonçalves e Francisco Souto Neto.

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domingo, 1 de dezembro de 2013

NO TÚMULO DO ANJINHO, MOEDAS QUE NINGUÉM TIRA por Aline Rickly

No túmulo do Anjinho, moedas que ninguém tira
por Aline Rickly
 
Tribuna de Petrópolis – Terça-feira, 19 de novembro de 2013 – Ano CXII – nº 35.
 
 
 
No túmulo do Anjinho, moedas que ninguém tira
por Aline Rickly
 
Página de capa:
 
 
 
Página 3 fotografada no monitor do computador (versão digital da Tribuna):
 

 
 
 
Link da edição digital:
 
Detalhes
Criado em Terça, 19 Novembro 2013 08:30

Foto: Alexandre  Carius

No túmulo do Anjinho, moedas que ninguém tira
Aline Rickly

A história sobre o Francisquinho, apontado como santo milagreiro do Cemitério Municipal, gerou uma série de dúvidas sobre a veracidade do assunto e o fato da criança estar sendo cultuada na cidade. Um dos questionamentos é a respeito dos brinquedos que são colocados na campa. No Facebook da Tribuna, inúmeras pessoas sugeriram que fossem doados a instituições carentes e outras criticaram o culto à criança. A questão será fruto de um estudo aprofundado feito pelo bispo dom Gregório Paixão.

“Vamos analisar o caso com procedência para que não caia no misticismo”, destacou o bispo, que considerou a história impressionante, já que a cada milagre concedido um brinquedo é colocado na campa, onde existem mais de 100, entre carrinhos, bolas, bonecos e caminhões. O bispo explicou que os santos milagreiros são intercessores de Jesus Cristo, ou seja, auxiliam os pedidos. Entre os brinquedos, é possível encontrar alguns que já não são fabricados mais, como um Mustang de ferro, da década de 70. Ontem pela manhã, alguém havia acendido velas para o menino. Na campa, também há vaso de flores, uma maçã e moedas.

O filho do senhor que limpava as sepulturas, há mais de 40 anos, não quis se identificar mas contou que, desde 1994, ajudava o pai a cuidar da sepultura. Desde que o pai morreu, há oito anos, ele ficou encarregado de limpar a campa. Ele disse que lava o mármore com água e cloro três vezes por ano, quando também avalia o estados dos brinquedos, que se deterioram com o tempo. Ele revelou que os que estão em pior estado são jogados no lixo. “Sem contar que tem muitos cachorros no cemitério que destroem os brinquedos”, disse.

Sandra Costa trabalha há 22 anos na limpeza do local e contou que não acredita que um bebê morto aos 3 meses possa ser um santo milagreiro. “Sou evangélica, faço meus pedidos direto a Deus”, disse ela, que contou também que ouve esta história do anjinho desde que começou a trabalhar no cemitério. “O baiano, que era o responsável por limpar o túmulo da criança, contava sempre essa história. E as pessoas não só acreditam como respeitam os brinquedos e não mexem neles”, destacou.
 
 
Francisco Souto Neto, bisneto do pai do Francisquinho, escreveu a biografia de seu trisavô, o Visconde de Souto. / Foto: Arquivo Pessoals.
 
 Pais do anjinho podem ter vivido em Petrópolis.

Francisco Souto Neto, bisneto do pai do Francisquinho, escreveu a biografia de seu trisavô, o Visconde de Souto, junto com sua prima Lúcia Helena de Souto Martini. O livro ainda não foi publicado por falta de patrocínio e tem 317 páginas. Eles pesquisaram mais de 600 obras e, segundo Francisco, os filhos do Visconde casaram-se todos na capela particular da Chácara do Souto, a residência oficial da família, em São Cristóvão, no Rio de Janeiro. “Se a criança morreu em 1872, meu trisavô já não era mais milionário, pois a Quebra do Souto aconteceu em 1864”, revelou. A Casa Souto foi uma das mais importantes instituições financeiras do país, no século XIX e teve sua fase de prosperidade durante o bom período da produção cafeeira.

Sobre o possível nascimento da criança, Francisco acredita que é possível que o bisavô tenha conhecido a Maria Luiza, mãe do Francisquinho, em Petrópolis. “Outra hipótese é que ela fosse carioca e o casal tenha se mudado para a Cidade Imperial, onde meu bisavô veio trabalhar, talvez a convite de algum dos antigos e influentes amigos do visconde. Certamente, após perder a família, esposa e filho, meu bisavô voltou para a região do Vale do Paraíba, mais especificamente Jacareí, onde conheceu a Maria da Lapa, minha bisavó”, disse. Quando se refere aos influentes amigos, Francisco rememora que o Visconde de Souto era um dos amigos mais próximos de D. Pedro II.

Francisco encontrou em seu arquivo um documento, datado de 19 de fevereiro de 1868, no acervo da Cúria Metropolitana do Rio de Janeiro, que representa um pedido de licença para que o casamento entre Maria Luiza e seu bisavô acontecesse na capela particular do Visconde de Souto. “O que significa que o primogênito nasceu somente três anos após o matrimônio, em 1872”, concluiu.

Aline Rickly
Redação Tribuna 
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Vide reportagem anterior, "Conheça o Anjinho de Petrópolis", no seguinte link:

http://viagenseopinioes.blogspot.com.br/2013/11/c-onheca-o-anjinho-de-petropolis-por.html 

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segunda-feira, 18 de novembro de 2013

CONHEÇA O ANJINHO DE PETRÓPOLIS por Aline Rickly

Conheça o Anjinho de Petrópolis
 por Aline Rickly
 
Tribuna de Petrópolis - Domingo, 17 de novembro de 2013 - Ano CXII - Nº 34.


Conheça o Anjinho de Petrópolis

 por Aline Rickly 

Página de capa:

 

Foto Aline Rickly

Página 3:
 

Acima, a página 3 inteira, tal como foi publicada pela Tribuna de Petrópolis.
 
 
Conheça o Anjinho de Petrópolis
Aline Rickly
 
Uma cena que está se tornando cada ano mais comum no Cemitério Municipal vem despertando a atenção e curiosidade dos petropolitanos. Os visitantes que passam pela sepultura 685 se surpreendem ao se deparar com uma grande quantidade de brinquedos espalhados (mais de uma centena entre carrinhos, bolas e bonecos, além de flores e moedas) por um túmulo de aproximadamente 1 metro de comprimento. A campa pertence a Francisco José Alves Souto Filho, que morreu aos 3 meses, no dia 9 de abril de 1872, e está sendo cultuado por petropolitanos que dizem que o menino é um santo milagreiro. A criança ganhou o apelido de Francisquinho ou Anjinho Petropolitano, por causa da imagem de um anjo que está colocada em cima do túmulo, e é neto do Visconde de Souto, um dos amigos mais próximos de D. Pedro II.

De acordo com relatos de pessoas que acreditam no poder da criança, a cada milagre realizado, um brinquedo é colocado em cima da campa. Se esta informação for levada em conta, nos últimos tempos mais de 100 pedidos foram atendidos pelo menino. Embora o culto aos santos de cemitério seja alvo de discussões que envolvem a fé, espiritualidade e religião, inúmeras pessoas continuam acreditando no poder da criança de conceder milagres. Há dois meses, Sebastiana dos Santos, que trabalha na limpeza do cemitério há mais de 13 anos, fez um pedido para o menino. “Pedi que meu filho, que tem problemas com álcool, parasse de beber, e ele já parou”,disse ela, que, como forma de agradecimento, deixou um brinquedo em cima do túmulo.

A procura pela campa de Francisquinho também está cada vez mais frequente. Embora seja no Dia de Finados que receba o maior número de visitantes, nos dias normais também tem gente procurando por ele. “Sempre tem pessoas perguntando onde está o anjo que faz milagres”, contou Anézia Faria, que também trabalha no local.

Segundo Marisa da Silva Gomes, chefe do Arquivo Histórico, da Biblioteca Municipal de Petrópolis, a história dos milagres começou quando um senhor, que era responsável pela limpeza das sepulturas, fez um pedido para curar a úlcera. “Ele foi atendido e começou a contar para as pessoas, que passaram a acreditar e sempre que um milagre é concedido deixam um brinquedo para o menino”, disse.

O filho do senhor que limpava as sepulturas, atualmente encarregado da mesma função, não quis se identificar, mas contou que o pai, falecido há 8 anos, realmente contava esta história. “Eu acho que era loucura”, criticou. Ele relatou que o pai encontrou a sepultura abandonada há mais de 30 anos e, desde então, se responsabilizou por limpar e cuidar dela. “Depois que ele morreu, a responsabilidade passou para mim”,revelou.

Registros históricos afirmam que o casal não teve filhos

Segundo registros históricos, Francisco José Alves Souto, filho do Visconde de Souto (Antônio José Alves Souto), casou-se pela primeira vez com Maria Luísa de França e Silva, mas não teve filhos. Apenas com a segunda esposa, chamada Maria Lapa de Salles Oliveira, é que teve cinco filhos.

A informação pode ser contraditória, pois no túmulo de Francisquinho consta que Maria Luiza era sua mãe. Curiosamente, na certidão de óbito da criança, que está na Catedral São Pedro de Alcântara, está registrado apenas o nome do pai. “Francisco morava no Rio de Janeiro e não sabemos por qual motivo ele estava em Petrópolis”, contou Marisa.

O pesquisador Lauro de Sá contou que a placa do túmulo é recente, no sentido que deve ter sido colocada há uns 20 anos, e que considera intrigante o fato de não constar o nome da mãe na certidão. Ele também acredita que há possibilidade de Maria Luísa ter sido moradora de Petrópolis e que o filho tenha nascido na cidade. “O pai do Francisco, o Visconde de Souto, era um dos melhores amigos de D. Pedro II e por isto era normal que a família visitasse a cidade com frequência, o que pode ter sido uma forma dele ter conhecido a Maria Luísa aqui. Naquela época, não era comum viajar com crianças pequenas porque a viagem do Rio de Janeiro até Petrópolis era muito longa”, acrescentou.



Lúcia Helena Souto Martini, sobrinha-neta de Francisco José Alves Souto Filho, o Anjinho de Petrópolis.
 
Durante a apuração da matéria, a equipe da Tribuna encontrou o bisneto de Francisco José Alves Souto, chamado Francisco Souto Neto, que reside em Curitiba. Ele está trabalhando em uma biografia que conta toda a história de seu trisavô, o Visconde de Souto. “Pesquisei mais de 600 títulos junto com minha prima Lúcia Helena Souto Martini, filha de Jacyra Souto. Em todos os registros, a informação é de que no primeiro casamento meu bisavô não teve filhos”, contou ele, que ficou sabendo sobre a história do Francisquinho através da equipe de reportagem da Tribuna.
“Meu bisavô é uma figura nebulosa na nossa história familiar”, revelou. Além disso, ele ressaltou que cinco gerações são um período considerável para que muitas informações a respeito da história dos familiares se percam. O livro escrito pelos primos, composto por 317 páginas, está aguardando patrocínio para ser publicado, mas antes disso, Francisco assegurou que, com essa informação sobre a criança, irá ter que rever o capítulo em que fala do seu bisavô. “Certamente teremos que alterar este item, atualizando os dados. Fico muito feliz que esse pequeno petropolitano não tenha caído no esquecimento e, de certa maneira, renasce na memória de todos encontrando a perpetuidade merecida através dos prodígios da fé”, enfatizou.
Sobre o falecimento do bisavô, ele disse não ter muita informação, mas acredita que ele tenha morrido com febre amarela. “Também não sei onde ele e Maria Luísa viviam e nem onde foram sepultados”, contou.



Francisco Souto Neto, sobrinho-neto de Francisco José Alves Souto Filho, o Anjinho de Petrópolis.


Francisco ressaltou que há falta de informações sobre o primogênito do seu bisavô e é justamente porque o casal morreu muito cedo. "Ao casar-se com Maria da Lapa e ter formado numerosa família,os laços com Francisquinho foram esquecidos pelas gerações que se seguiram". Em contato com a administração do Cemitério Municipal, informaram que os registros antigos não foram digitalizados e que não era possível conseguir a informação até o fechamento da edição.
 

No lugar da fotografia, o jornal publicou o esquema da ancestralidade de Francisco Souto Neto, ligando-o ao "Francisquinho" (o Anjinho de Petrópolis) e ao Visconde de Souto.
 

Também não foi possível identificar o local em que Francisquinho nasceu, já que o hospital mais antigo da cidade, o Hospital Santa Teresa, foi fundado em 1876, quatro anos, após o nascimento da criança. Desta forma, se o nascimento dele aconteceu em Petrópolis, presume-se que possa ter sido através de uma parteira ou em uma casa de saúde que existia na época, da qual não se possui mais informações.

Bispo vai pesquisar a história do menino

De acordo com o bispo dom Gregório Paixão, o caso deve ser estudado com profundidade e prudência, para que não caia no misticismo. “Tive um pequeno conhecimento sobre o assunto no Dia de Finados, mas preciso conhecer a história a fundo”, ressaltou. Sobre a possibilidade de que Francisquinho possa ser canonizado, ele destacou que é um grande processo até chegar a esse ponto. “Se for verdade que a cada milagre concedido, um brinquedo é depositado no túmulo dele e, se tem mais de 100 brinquedos, realmente é um caso impressionante e vamos avaliá-lo. Tem que ser feito um estudo para saber sobre os milagres que ele fez. Sendo coisas excepcionais vale a pena aprofundar os estudos. Vou pedir uma investigação sobre o assunto a paróquia do Sagrado Coração de Jesus, que fica próxima ao cemitério”, garantiu.

Dom Gregório explicou que os santos milagreiros são intercessores de Jesus Cristo, sendo assim, eles auxiliam os pedidos; “O que acontece, na verdade, é que as pessoas pedem o milagre a Jesus, por intercessão da criança”.

Família Souto
 
 

Requerimento dirigido em 19.2.1868 ao Vigário Capitular do Rio de Janeiro, por Francisco José Alves Souto, pedindo permissao para realizar seu casamento com Maria Luíza de França e Silva na capela particular de seus pais, o Visconde e a Viscondessa de Souto. (Documento original pertencente ao acervo da Cúria Metropolitana do Rio de Janeiro).
 
 

Francisco José Alves Souto, pai de Francisquinho, nasceu em 20 de março de 1846, no Rio de Janeiro e morreu em 1890, aos 44 anos. Não se sabe exatamente o dia e o mês de sua morte, nem as causas. Ele foi o sexto filho de Antônio José Alves Souto, o Visconde Souto, que nasceu em Portugal, em 28 de março de 1813 e morreu em 14 de fevereiro de 1880. O Visconde foi fundador da Casa Souto, uma das mais importantes instituições financeiras do país, no século XIX que teve sua fase de prosperidade durante o bom período da produção cafeeira.

Antônio trabalhou na Corte como corretor de títulos e de outros valores. Segundo os registros, ele tinha título de nobreza e gozava de muito prestígio junto à colônia portuguesa fluminense.

Em 1857, com a crise do café, a casa entrou em crise, com quedas acentuadas nas exportações e nas cotações dos preços do café no mercado mundial.

Mesmo após ter conseguido inúmeros empréstimos com o Banco do Brasil, a Casa Souto acumulou uma dívida de 22 mil contos de réis, o que correspondia à metade do capital do Banco do Brasil, o que tornou impossível conseguir o dinheiro para pagar as dívidas.

A falência da Casa Souto foi responsável, em 1865, por uma queda comercial, baixa do câmbio e dos valores dos imóveis, decesso das ações de companhias e elevação do preço da moeda de ouro.

Santos de cemitério

Em Petrópolis, Francisquinho é o primeiro cultuado pela população e dito como santo de cemitério, mas pelo país afora é possível encontrar outras pessoas que morreram e fazem milagres. Segundo Lauro, esta é uma forma simples e popular de santificar determinadas pessoas a partir do culto e da reverência de sua sepultura. De acordo com ele, existem casos em que um santo de cemitério acaba sendo reconhecido no Vaticano. Um exemplo é o menino paulista Antônio da Rocha Carmo, que nasceu em 1918 e faleceu aos 12 anos de idade. Ele passou a ser reconhecido como Santo Antoninho, o Santo do Povo, e seu processo de beatificação foi aberto em 2007. O pesquisador citou outros casos, como o da Maria Degolada, uma jovem que foi assassinada pelo namorado em novembro de 1889, e o da Odetinha, que morreu vítima de uma doença infecciosa de origem bacteriana. O processo de beatificação e canonização de Odetinha foi aberto em janeiro pela Arquidiocese do Rio.

Aline Rickly

Redação Tribuna

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sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Francisco Souto Neto: LEMBRANÇAS DO CÁRCERE MAMERTINO E SUA CRUZ INVERTIDA


Jornal Centro Cívico – Ano 9 – Agosto/Setembro 2011 – Nº 86
Jornalista responsável: Maurício Grabowski

Página 15:


Capa:



LEMBRANÇAS DO CÁRCERE MAMERTINO E SUA CRUZ INVERTIDA
Francisco Souto Neto

Segundo antigo ditado, uma vida inteira não é suficiente para conhecer Roma. Depois de algumas viagens à Cidade Eterna, o turista que já visitou as suas principais atrações sente aumentar uma inquietação ao perceber que as particularidades da capital da Itália, ligadas a uma história de quase 3000 anos, são incontáveis, e cada vez mais fascinantes. Se alguém viajar acompanhado de familiar ou amigo, é sempre necessário planejar com antecedência os locais que desejam conhecer, debater as opiniões de todos os participantes, e estabelecer as prioridades.
No último passeio que fiz a Roma, que foi na companhia de Rubens Faria Gonçalves, tínhamos ambos o propósito de conhecer o Cárcere Mamertino, também denominado Cárcere Tuliano, uma prisão subterrânea que já existia no 1º século depois de Cristo. São Pedro e São Paulo estiveram ali aprisionados, além de enorme número de importantes personalidades de várias eras, tais como reis, governadores, senadores, ministros. Não se tratava de um lugar para prisioneiros comuns, mas para os de segurança máxima, isto é, os inimigos públicos. Eles eram condenados à morte dolorosa, geralmente por estrangulamento. Desse martírio só escapavam aqueles que, por sorte, morressem antes por causas naturais, isto é, de frio, fome ou doenças. No ano de 314 o Papa Silvestre dedicou a prisão a São Pedro em Cárcere (San Pietro in Carcere), nome da igreja que foi construída sobre aquele lúgubre local. No século XVI, a essa igreja foi sobreposta outra, denominada São José dos Carpinteiros (Chiesa di San Giuseppe dei Falegnami). A entrada dessa igreja está situada a uns quatro metros acima da rua, devido a obras realizadas na década de 30 do século XX, que baixaram o nível da praça em frente, para permitir o acesso direto ao Cárcere Mamertino.

Entrando no Cárcere Mamertino

A entrada para o Cárcere Mamertino se faz por uma escadaria que começa no atual nível da rua, exatamente sob a fachada das igrejas sobrepostas, que se aprofunda paralela à calçada, onde há quatro janelões, que à distância parecem enormes portas abertas, mas que estão protegidas por grades, para que os transeuntes não caiam no desvão.  Descendo por essa escadaria, o visitante chega a um nível profundo, onde se encontra a chamada cela superior, abafada e sem janelas. Numa das paredes está fixada imensa placa de mármore gravada com os nomes dos prisioneiros mais famosos que ali encontraram a morte dolorosa. Ao lado do nome, consta a causa mortis e o ano da execução. Uns eram decapitados, outros estrangulados, outros morriam “de fome”, e assim por diante. A cela inferior da masmorra era alcançada através de um buraco no chão, em que colocavam uma escada de madeira para a descida dos prisioneiros, de onde somente sairiam, ou mortos, ou para serem executados. Dizia-se, já naqueles tempos remotos, que aquela escada de madeira era uma descida para os infernos. Atualmente há uma escada de pedra num canto que foi aberto para que os visitantes possam descer sem maiores riscos. Esse plano inferior da prisão, úmido, está ligado ao principal esgoto da cidade, que se chamava Cloaca Máxima. Às vezes, quando o prisioneiro era executado naquele local, costumavam jogar o corpo ao esgoto, ali ao lado.
Há uma fonte no chão. Como a iluminação local era fraca, não conseguíamos ver o interior do buraco. Rubens Faria Gonçalves testou-o com uma das mãos... e encontrou a água. Segundo a lenda, quando São Pedro estava ali aprisionado, fez brotar aquela fonte, que antes não existia, e com a sua água batizou 42 outros prisioneiros, e também os dois guardas do cárcere, que se chamavam Processo e Martiniano. Esses guardas foram igualmente condenados e supliciados. Outro milagre atribuído a São Pedro teria ocorrido no momento que ele descia pela escada de madeira para aquela escuridão, quando foi brutalmente empurrado por um dos guardas contra a parede. Quando o santo bateu o rosto no obstáculo de pedra, esta teria amolecido, e parte do seu rosto ficou ali impresso. Segundo a tradição cristã, houve mais um milagre por São Pedro: as correntes que o prendiam, soltaram-se e caíram ao chão. Essas correntes estão expostas numa das mais importantes igrejas de Roma, que se chama Igreja de São Pedro Acorrentado (Chiesa di San Pietro ai Vincoli).
Nesse piso mais profundo há um altar, o que faz do cárcere uma capela. A cruz desse altar está invertida, alusão a São Pedro, que saiu dali para ser crucificado de ponta-cabeça. Ao lado do altar existe uma coluna onde, segundo a lenda, estiveram acorrentados Pedro e Paulo. Não resta dúvida de que a visão daquela cruz invertida causa grande impressão às pessoas que visitam o pavoroso calabouço.
Saímos daquele espaço abafado e escuro. Subimos ao piso superior da masmorra e dali outros degraus nos levaram para o nível da rua. Encontramos a paisagem ensolarada, e uma brisa reconfortante nos trouxe de volta à Roma atual. Partimos para novos passeios, porém com o pensamento ainda aprisionado ao lugar horrendo que acabáramos de visitar.

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A cruz invertida no altar de São Pedro, no nível mais profundo do Cárcere Mamertino.

Esta gravura do século XIX mostra como era a fachada da igreja (a menor, do lado esquerdo) que foi construída sobre o Cárcere Mamertino.

Ao fundo, a Igreja San Giuseppe dei Falegnani, construída sobre o Cárcere Mamertino. À direita, veem-se as colunas e a escadaria da fachada de outra igreja, a Chiesa dei Santi Luca e Martina. Em primeiro plano, Rubens Faria Gonçalves. Dá para ler na fachada da igreja ao fundo, a palavra MAMERTINUM. Foto de Francisco Souto Neto.

A Chiesa dei Santi Luca e Martina sobre o Cárcere Mamertino.

Na calçada, uma pessoa olha para baixo, através da grade, onde está a porta de entrada ao Cárcere no subsolo.

A inscrição MAMERTINUM indica onde é o cárcere, que se situa no subsolo.

Um desenho mostra os níveis subterrâneos do Cárcere.

Ao nível da calçada, a entrada (aqui fechada) para a escada que desce aos dois níveis subterrâneos do Cárcere Mamertino. Essa entrada localiza-se assim, de lado.

As duas escadas que levam do nível da rua à porta de entrada ao Cárcere.

Uma turista entrando no cárcere.

No primeiro subsolo do Cárcere Mamertino há hoje uma capela. À esquerda, vê-se uma escada que sobe para a saída, e outra escada que desce ao nível mais profundo e tétrico do cárcere.

Numa das paredes do nível da capela, há uma tenebrosa placa de mármore informando alguns dos mais importantes prisioneiros que ali estiveram, e a maneira como foram mortos...

Eis a cruz invertida no altar de São Pedro, no nível mais profundo do Cárcere Mamertino.

Outra placa indica que São Pedro, acorrentado com São Paulo a este local, batizou 47 prisioneiros e dois guardas (que depois foram também mortos por causa disso). 

Uma fonte brotou neste local, cuja água foi usada por São Pedro para os batismos (a fonte, ou "poço", está iluminada nesta foto.

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UM RESUMO DE APENAS 4 MINUTOS, NUM FILME EM VHS DE 1999: NÓS NO CÁRCERE MAMERTINO, O CAÓTICO TRÂNSITO DE ROMA E NOSSO HOTEL: O MANFREDI, NA RUA MARGUTA (RUA ONDE MORARAM CELEBRIDADES, COMO FEDERICO FELLINI E SUA DOCE GIULIETTA MASINA):


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