domingo, 9 de outubro de 2011

Francisco Souto Neto: POMPEIA À SOMBRA DO VULCÃO


Jornal do Centro Cívico – Ano 4 – Novembro 2006 – Nº 36
Diretor-presidente: José Gil de Almeida

Página 5:


Capa:



POMPEIA À SOMBRA DO VULCÃO
Francisco Souto Neto

O visitante que chega a Nápoles, ao sul da península itálica, não pode deixar de observar o Vesúvio, um vulcão que se eleva a 1277 metros ao fundo da cidade. As construções se estendem ao sopé do vulcão e sobem as suas encostas. Corajoso povo napolitano, pois o Vesúvio é um vulcão ativo que poderá, a qualquer momento, entrar em erupção, como vem acontecendo através de toda a História conhecida.
No ano de 79 da nossa era, o Vesúvio sofreu a sua mais famosa e destruidora erupção, sepultando importantes cidades como Pompeia e Herculano. Na maior delas, Pompeia, morreram mais de duas mil pessoas.
Durante a erupção, os ventos espalharam cinzas e rochas incandescentes para o lado oposto a Nápoles, na direção para onde o vulcão derramou também seus mortais fluxos piroclásticos. Assim, Pompeia e Herculano foram sepultadas com os habitantes e animais que não conseguiram fugir ao cataclismo.

Ao fundo, a silhueta do Vesúvio.

Pompeia e as outras povoações adjacentes ficaram enterradas sob uma camada de vários metros de rochas e cinzas incandescentes. Passaram-se dezessete séculos, tempo em que a terra carregada pelos ventos foi encobrindo o espesso lençol já solidificado, em cuja superfície cresceu densa vegetação. E o local das cidades foi esquecido através de muitas centenas de gerações. Até que em 1748, por acaso descobriu-se a existência da cidade congelada no tempo, quando então começaram as suas escavações.

Pompéia hoje

Muitos prédios resistiram à erupção e permaneceram intactos, assim como estátuas, objetos de decoração e utilitários das vivendas. Até as pinturas murais e as ruas calçadas revivem o passado, revelando que Pompeia era uma cidade de veraneio, muito próspera, onde as famílias ricas mantinham verdadeiras mansões para delas usufruir nas suas férias.
Passear por Pompeia é retroceder dois mil anos no tempo e ver como viviam as pessoas abastadas do Império Romano. A Via dell’Abbondanza (Rua da Abundância) era a principal artéria da cidade, cheia de lojas. Estão lá os bares onde serviam bebidas e pratos preparados, a casa que funcionava como lavanderia e tinturaria, a padaria com seus fornos e utilitários de cerâmica. Em outro setor da cidade está o Foro, que é onde se situavam os edifícios públicos, como a basílica (onde se resolviam assuntos jurídicos e comerciais), os templos de Apolo, Júpiter e Vespasiano, e também um grande mercado coberto. Havia um enorme anfiteatro, além de teatros, termas, caserna e tudo o que se poderia esperar de uma importante cidade do Império Romano.
Há mansões que tomam quarteirões inteiros e apresentam surpreendente luxo, muitas delas com pinturas de incrível beleza, mosaicos muito bem elaborados e estátuas de bronze. A residência que mais me impressionou foi a “Casa do Fauno Dançante”, assim denominada por causa da pequena estátua que adornava o seu impluvium, um pequeno espelho d’água situado no átrio de entrada à mansão. Essa residência era extremamente luxuosa, com dois átrios, dois peristilos e uma sala de refeição para cada uma das estações do ano. Um dos maiores mosaicos, que se encontrava no quarto principal, foi transferido para o Museu de Nápoles. Mas, havia casas maiores e mais luxuosas do que esta a que me refiro.

Em 1980, Francisco Souto Neto na Casa do Fauno
Dançante. Ruínas de Pompeia, Itália.

O lupanar, bem no centro da cidade, também chama a atenção: era o prostíbulo oficial da urbe. Sobre cada uma das portas que leva aos pequenos quartos há pinturas com temas obscenos, para indicar a “especialidade” da prostituta que ali se encontrava. Nas paredes dos cubículos há ainda grafites dos pompeianos do primeiro século, relatando as impressões daqueles clientes sobre os serviços prestados...
É preciso ter sempre em mente que estou me referindo a uma cidade que foi sepultada pelo Vesúvio apenas 46 anos depois da morte de Cristo e um milênio e meio antes do Brasil ser descoberto!
Na Casa do Criptopórtico estão as imagens em gesso de como alguns dos habitantes se encontravam no momento em que foram atingidos pelas lamas ardentes. Uns morreram sentados, outros abraçando-se, há crianças cobrindo o rosto com as mãos... Há até um cão petrificado no momento em que se contorcia agonizante. Esses “moldes” de pedra vulcânica (isto é, da lama fervente que se petrificou) foram encontrados já sem vestígios dos corpos. Mas, ao serem preenchidos com gesso, revelaram com detalhes as formas das pessoas e animais no momento de sua morte no ano 79.
Um passeio por Pompeia acaba transformando-se em reflexão a respeito da vida e da morte: quase todas as pessoas eliminadas pelo Vesúvio tiveram seus nomes esquecidos no tempo, viraram pó, algumas deixaram o molde em gesso da sua agonia, mas foram, todas elas, seres humanos como nós, que nasceram, brincaram, sofreram, amaram, viveram e desapareceram... há quase dois milênios.

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Francisco Souto Neto: VIAGENS AÉREAS, AS MELHORES E AS PIORES


Jornal do Centro Cívico – Ano 4 – Setembro 2006 – Nº 35
Diretor-presidente: José Gil de Almeida

Página 4:

Capa:



VIAGENS AÉREAS, AS MELHORES E AS PIORES
Francisco Souto Neto


Quem já viajou bastante em avião pode ter histórias pitorescas a contar. Eu, por exemplo, não tive dificuldades em me lembrar de alguns estranhos episódios que vivi acima das nuvens...

Um péssimo vôo na infância

No fim dos anos 40 ou começo dos 50, época de minha infância, fiz uma viagem com minha família a bordo de um Douglas DC-3 da Real Aerovias, de Ponta Grossa a Campo Grande, com muitas escalas pelos Estados do Paraná, São Paulo e Mato Grosso. Os aviões a jato comerciais ainda não existiam. Eram as hélices que impulsionavam os antigos aparelhos. Os DC-3 comportavam poucos passageiros, talvez até menos do que os ônibus de hoje.

Um DC-3 da Real Aerovias, em 1955. Desembarque de
Edith Barbosa Souto (segurando grande pacote ao sair
pela porta do avião) no aeroporto de Ponta Grossa, PR,
no vôo Campo Grande-Ponta Grossa.

Em 1955, Edith Barbosa Souto sendo recebida pelo marido, o
jornalista Arary Souto. Atrás do DC-3 da Real Aerovias, vê-se o telhado
triangular (com duas janelas no 1º andar) do aeroporto de Ponta Grossa, PR.

No final da viagem, já à noite, entramos numa tempestade. O avião jogava como imagino que fosse uma carroça a toda velocidade numa estrada esburacada. Meus pais, meus irmãos e eu, assim como todos os passageiros, enjoamos ao extremo. Todos vomitávamos nos saquinhos próprios, e na minha memória ficou como se houvesse um grito contínuo no ar, porque sempre havia o ruído gutural de alguém, ou várias pessoas “destripando o mico” ao mesmo tempo. Nos violentos solavancos e súbitas quedas que o avião sofria em pleno ar com grandes estrondos, bolsas e objetos despencavam dos bagageiros. Ouvi de repente um grito mais alto seguido de som de metal se quebrando! Olhei para o lado e vi a poltrona do robusto passageiro que viajava na última fila (atrás da qual havia a porta de entrada ao avião) quebrando-se, com o homem esparramando-se no chão com as duas pernas para cima e entornando sobre seu paletó o conteúdo do saquinho destinado às indisposições...
O DC-3 chegou intacto (exceto uma poltrona) ao destino, e a prova disso é eu estar aqui, hoje, escrevendo estas linhas... Que tempos heróicos eram aqueles das asas e das hélices da Panair do Brasil e da Real Aerovias!

Alguns desagradáveis vôos dos tempos atuais

No ano de 1991 fiz uma viagem com destino a Roma, a bordo de um “Jumbo” da empresa aérea italiana Alitalia. Para começar mal, viajei na apertada fila central de poltronas da classe turística, que tem seis assentos justapostos sem espaço entre eles. O vôo foi cansativo, os passageiros mal-educados “colaborando” com a falta de higiene dos banheiros, nos quais entrava-se pisando em papéis higiênicos esparramados pelo chão... e por toda parte. A refeição, fraca, teve como sobremesa três uvas. Uma senhora italiana, que viajava ao meu lado, fez um gesto de desalento, dizendo-me no seu idioma: “Mas por quê só três uvas, se temos tantas delas na Itália?”. Logo depois vi essa mesma senhora furtando os talheres que tinham sido usados por ela e o marido. Havia muita turbulência e os bagageiros balançavam ameaçadoramente sobre nossas cabeças. Porém, o mais desagradável estava por vir: no meio da noite, vi um homem da tripulação vindo de quatro, pelo corredor, com uma chave de fenda na mão, apertando ou ajustando algo nas poltronas, quase ao rés do chão. Acho que apertava parafusos. Jamais entendi o que foi aquilo!
Mas o pior dos vôos foi a bordo da Varig, também com destino à Europa: o avião simplesmente não decolava do aeroporto do Rio. Ficou um enorme tempo parado e fazia muito calor. Para distrair os passageiros, começaram a servir as refeições. Pela porta, entravam e saíam homens vestidos de amarelo. Eram mecânicos. “Mecânicos? – pensava eu – Mecânicos que entram e saem da cabine do piloto?” Sim, o avião estava em pane total e os técnicos tentavam fazê-lo voar. Ao final, efetivamente voou.
Na volta daquela mesma viagem, também pela Varig, no aeroporto Charles de Gaulle em Paris, repetiu-se o mesmo drama: o avião não decolava e mecânicos começaram a entrar e sair do aparelho. Um passageiro reclamou ao comissário de bordo, de que com tal atraso perderia uma conexão no Brasil. E o “aeromoço”, grosseiramente, respondeu: “E como é que o senhor quer que o avião decole, se estamos em pane total?”. Eu não tenho medo de viajar de avião. Ao contrário, até gosto muito. Mas panes na ida e na volta deixaram-me estressado. Em todo caso, pensei eu na ocasião, para me consolar, que panes ocorridas no solo são infinitamente melhores do que as que acontecem em pleno vôo...
Curiosamente, algumas semanas depois, minha prima Eliane Amaral foi passear em Nova York, voando pela Varig. No retorno, quando o avião começou a se movimentar pelas pistas, num estrondo ele perdeu uma asa. Sim, a asa caiu! Caiu por ter batido num obstáculo. Minha prima, chorando, e todos os passageiros foram levados para um hotel, à espera de novo vôo marcado para a manhã seguinte. A empresa aérea que foi um dia a melhor do Brasil e uma das melhores do mundo, já entrava num processo de decadência, infelizmente, muito infelizmente para todos nós.
A verdade é que após os dois incidentes relatados, nunca mais voei pelas mencionadas empresas aéreas. Desde então, para viajar ao Exterior faço como minha querida e saudosa tia Mariinha de Salles Souto e Silva, que só voava pela Swissair (hoje Swiss Air), a empresa aérea suíça, fosse qual fosse o seu destino, por ser considerada uma das mais seguras e sérias do mundo.

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sábado, 8 de outubro de 2011

Francisco Souto Neto: BICHOS DE ESTIMAÇÃO DE ONTEM, HOJE E AMANHÃ


Folha do Batel – Ano 5 – Setembro 2006 – Nº 73
Diretora-Executiva: Celina S. P. Ribello.

Página 10:


Capa:



BICHOS DE ESTIMAÇÃO DE ONTEM, HOJE E AMANHÃ
Francisco Souto Neto


Os primeiros animais domesticados em eras muito remotas foram os ovinos, caprinos, bovinos, suínos, galinhas e perus, todos eles para, direta ou indiretamente, prover a alimentação dos povos antigos.
Como animais de companhia, os primeiros devem ter sido os gatos e os cães. No antigo Egito o gato era sagrado. Muitas múmias de felinos podem ser vistas, ainda hoje, em museus de todo o mundo.
O cão, comumente chamado de cachorro, é talvez o mais antigo animal doméstico. Há teorias de que o cão teria surgido da domesticação do lobo cinzento asiático há cerca de 100.000 anos. No antigo Egito eles eram também mumificados para representação de deuses.
Felinos e canídeos, atravessando os milênios, foram sofrendo seleções artificiais pelo ser humano e preparados, os felinos para combater ratos, e os canídeos para pastorar ovelhas, ajudar na caça, guardar propriedades e rechaçar invasores animais e humanos.
Daí para os nossos dias foi um passo, e aqui estão esses maravilhosos animais vivendo dentro das nossas casas, dormindo em nossas camas e convivendo conosco com uma disciplina quase humana.

Paco Ramirez de San Martin,
chihuahua de Francisco Souto Neto.

Os cães, particularmente, ganharam agora novo status: quando treinados, podem ser os olhos de deficientes visuais humanos, e ainda localizar sobreviventes de grandes tragédias como terremotos, detectar nos aeroportos a presença de drogas em malas, e assim por diante. Agora é a vez dos pacientes cardíacos internados nos Estados Unidos, que se submetem à chamada animal assisted-therapy, que é o tratamento feito com a presença de um cão. Já é comum, mesmo no Brasil, a visita de cães a idosos em asilos e a pacientes hospitalizados com diversas moléstias. O toque na pelagem dos cães e o compartilhar da doçura dos animais faz com que tais doentes apresentem rápida melhora em seu estado clínico.
Crianças com problemas diversos, como o autismo para mencionar apenas um deles, quando em contato com cavalos e usando-os como montaria, têm extraordinários sinais de melhora.
Portanto, justifica-se que respeitemos os animais, todos eles, ao extremo! O animal, comprovado está, sempre reflete a personalidade do dono. Se o dono for violento e sem princípios de boa educação, fatalmente transmitirá os seus defeitos de personalidade aos “animais de estimação”. Teoricamente não há cão ou gato mau; há, sim, maus donos!
Todos nós, seres humanos que nos pretendemos superiores e civilizados, devemos combater e denunciar as violências contra animais, não só as praticadas pelos nossos vizinhos, mas também a vivisecção nas escolas de ensino superior. É inadmissível que professores e alunos cortem, mutilem e matem cães e outros bichos, em nome da Ciência. O pior é que isto vem sendo feito sem sequer o respeito do uso de anestesia. O animal morre gritando e sofrendo. Se em Medicina os alunos estudam sobre cadáveres humanos, e não pessoas vivas, que o mesmo se faça em Veterinária e similares.
Em eras mais antigas, alguns homens mais à frente das suas épocas compreendiam a necessidade de respeitar os animais. Leonardo da Vinci, que viveu há mais de seis séculos, deixou para o mundo esta frase digna, mesmo, de um homem universal: “Chegará o dia em que o homem conhecerá o íntimo dos animais. Nesse dia, um crime contra um animal será considerado um crime contra a própria humanidade”.

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Francisco Souto Neto: OSLO, NA NORUEGA, E SEU INCRÍVEL FROGNER PARK



Jornal Água Verde – Ano 14 – Agosto 2006 – Nº 301
Diretor-presidente: José Gil de Almeida

Página 6:


Capa:



Folha do Batel – Ano 5 – Junho/Julho 2006 – Nº 71
Diretora-Executiva: Celina S. P. Ribello.

Página 6:


Capa:




OSLO, NA NORUEGA, E SEU INCRÍVEL FROGNER PARK
Francisco Souto Neto


A Noruega é uma estreita e longa faixa de terra, na qual o mar penetra numa infinidade de fiordes, cingindo inúmeras ilhas. É uma das raras regiões do mundo onde se pode ver o sol da meia-noite, porque o país é cortado pelo Círculo Polar Ártico e muito próximo ao Pólo Norte. Os habitantes primitivos acreditavam que ali o mundo acabava.
Oslo, a capital, tem 630 mil habitantes e é a maior cidade do país. Foi fundada em 1050 e é capital desde o ano de 1299. É onde se entrega o Prêmio Nobel da Paz... e é também a segunda cidade mais cara do mundo.
Essa capital é toda voltada para ao mar, mais precisamente para o fiorde de Oslo. Cheguei à cidade pelo terminal de cruzeiros situado aos pés de Akershus, uma fortaleza com mais de 700 anos, a poucos metros do seu antigo porto, onde se realizava uma feira, na qual, além de frutos do mar e todos os produtos habitualmente encontrados nesses eventos, estavam à venda até mesmo elegantíssimos casacos de peles. Casacos de mink, de vison, que em outros lugares do mundo ocupariam as vitrines das lojas mais sofisticadas e caras. Centenas de gaivotas pareciam disputar o espaço com as pessoas que ali se encontravam.
Muitas são as atrações de Oslo, que incluem cerca de 50 museus e incontáveis galerias de arte. Entretanto, não há nada que atraia tanto os turistas, quanto o Frogner Park, também conhecido como Vigeland Park.

O magnífico Frogner Park

Francisco Souto Neto na entrada do Frogner Park de Oslo, Noruega.
Ao fundo, muito longe, avista-se o monólito em forma de obelisco, de Vigeland.

Tomei um bonde que em poucos minutos me deixou na porta do famoso Frogner Park, onde estão 120 esculturas em pedra, resultado de décadas de trabalho do escultor Adof Gustav Vigeland (1840-1943).
As imagens, onde as pessoas estão representadas sempre nuas, são conhecidas como Círculo da Vida, e começam com o nascimento do ser humano, isto é, com a estátua de uma criança que parece representar a infelicidade e a tristeza do referido círculo que se completará, na sua velhice, com a própria morte.
Mas, essa mesma criança em princípio infeliz por ter tido que abandonar a segurança do útero materno é vista, através da sequência das esculturas, passando pela infância cheia de alegres brincadeiras com os outras crianças e com os próprios pais. A visita ao parque vai a cada passo se transformando numa festa em celebração da vida. E mais adiante as crianças já se tornaram adolescentes que parecem sonhadores e românticos.


Rubens Faria Gonçalves "segura" o bebê para que não caia... A estátua de
bronze não representa agressividade, mas uma simbólica celebração à vida. O
homem não chuta, mas ampara as crianças em sua inocente brincadeira. Na
coluna à esquerda,vê-se um monstro (a doença) subjugando um idoso.

Rumando ao obelisco.

A escadaria que leva ao obelisco.

Logo depois estão os adultos em sua luta no triste capítulo do combate e da competição pela própria sobrevivência. Representa a luta pelo reconhecimento dentro do próprio grupo e pelas conquistas do trabalho e da própria felicidade.
Finalmente, as estátuas mostram homens e mulheres já velhos, decrépitos, próximos da morte, mas ainda brincando com as novas crianças (seus netos e bisnetos) e prontos para completar o círculo da vida.

O monólito

Bem no final do Frogner Park, está um monólito impressionante, no qual Vigeland representou 121 corpos retorcendo-se, nascendo, amando e morrendo, emaranhando-se uns aos outros, elevando-se em direção ao céu e formando uma coluna quase fálica com pouco mais de 14 metros, quase a altura do que seria um prédio de cinco andares.

Ao fundo, o obelisco de Vigeland.
 
Passei quase toda a tarde no Frogner Park. Muitas são as atrações de Oslo, berço dos bravos vikings, uma das cidades mais bem organizadas do mundo, das mais limpas e belas. Mas nada se compara ao magnífico Frogner Park, que leva até os mais insensíveis a reflexões sobre a vida, tão dadivosa, tão bela e feliz, mas, ao mesmo tempo, tão triste e fugaz.

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MAIS UM EVENTO NO SESC ÁGUA VERDE HOMENAGEIA EMPRESÁRIOS DOS BAIRROS DA NOSSA REGIÃO


Jornal Água Verde – Ano 14 – Agosto 2006 – Nº 301
Diretor-presidente: José Gil de Almeida

Capa:


Página 7:


MAIS UM EVENTO NO SESC ÁGUA VERDE HOMENAGEIA EMPRESÁRIOS DOS BAIRROS DA NOSSA REGIÃO



           O advogado e jornalista Francisco Souto Neto recebe o Diploma Destaque Cultural.

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sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Francisco Souto Neto: GÊNOVA E A CASA DE CRISTÓVÃO COLOMBO


Jornal Água Verde – Ano 14 – Junho 2006 – Nº 298
Diretor-presidente: José Gil de Almeida

Página 14:


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GÊNOVA E A CASA DE CRISTÓVÃO COLOMBO
Francisco Souto Neto


            Quando estive por uns dias na cidade italiana de Savona, na Ligúria, onde deveria embarcar em navio para um cruzeiro pelo Mediterrâneo, resolvi passar uma tarde na vizinha Gênova, e esta se tornou uma das minhas maiores surpresas na Itália.

Impressões de Gênova

            A arquitetura de Gênova é riquíssima – e qual arquitetura italiana não seria rica? Há, no entanto, um fato interessante no que se refere às galerias daquela cidade. Os curitibanos sabem muito bem como são as nossas galerias, paralelas às calçadas, que abrigam lojas existentes nos prédios construídos nos últimos 30 anos ao longo das ruas onde estão as canaletas dos ônibus expressos. As galerias do centro de Gênova, porém, são bem mais altas do que as nossas e frequentemente abobadadas , inúmeras vezes com ricas pinturas em seus tetos de precioso acabamento.

Galerias de Gênova.

Galerias de Gênova

            O piso das calçadas da área central de Gênova, aí incluídas as galerias da cidade, é em forma de mosaico, não como o petit-paver irregular e esburacado que vemos na capital paranaense, mas tão liso e uniforme, que parece polido, contendo desenhos delicados e ricos, resultado do trabalho requintado de hábeis artesãos de tempos passados.
            Gênova é um dos mais importantes portos da Itália. Como em outras cidades portuárias da Europa, podem ser vistos nas suas ruas alguns marinheiros trôpegos de tão embriagados, carregando a garrafa e cantando desafinados...
           
A casa de Cristóvão Colombo
           
            Cristóvão Colombo (Cristoforo em italiano), descobridor do novo mundo, é lembrado em inúmeros lugares de Gênova. No centro da praça da estação ferroviária há uma grande estátua do navegador, vários prédios públicos levam seu nome e até o aeroporto chama-se Cristoforo Colombo.
Não se sabe com certeza se Colombo nasceu em Savona ou Gênova. Porém os registros históricos apontam que uma casa em Gênova, situada ao lado da Porta Soprana, pertenceu ao pai de Cristóvão, e ali o futuro descobridor do Novo Mundo teria passado a infância e desvendado sua paixão pelos mares.
Eu sinto sempre muita curiosidade em relação às casas onde viveram os vultos históricos. Ao contrário do Brasil, tudo na Europa tem sido rigorosamente preservado, apesar das guerras que destruíram cidades inteiras durante os grandes conflitos da primeira metade do século XX. E a casa da infância de Colombo vem resistindo através de mais de 500 anos... ou meio milênio!
A casa não está aberta à visitação pública. Pode ser vista apenas por fora. E a bem da verdade, trata-se de uma casa sem atrativos estéticos, que nem é, rigorosamente, uma atração turística. Ela está coberta de hera que parece descer (e não subir) pelas suas laterais, como se fosse uma feia e desgrenhada cabeleira verde... As duas janelas do andar superior lembram dois olhos retangulares, e a “testa” da casa ostenta uma enorme placa de mármore, informando em latim que se trata da casa paterna de Cristóvão Colombo.

Francisco Souto Neto na porta da casa
de Cristóvão Colombo em Gênova, Itália.

Rubens Faria Gonçalves na porta
da casa de Cristóvão Colombo. Ao
fundo, a esquerda, uma das torres
da Porta Soprana.

Detalhe do 1º andar da casa
de Colombo, com placa alusiva.

Entretanto não importa, absolutamente, que a casa não tenha atrativos. O que vale é o marco histórico e a referência à memória do grande navegador.

Outras atrações de Gênova

Muitas são as atrações de Gênova. O turista que chegar à cidade pela Estação Porta Príncipe e descer a pé pela rua principal em direção ao centro da urbe, se espantará com a grandiosidade das construções. As portas desses prédios muito antigos, todas elas, são de ferro, imensas, com uns cinco ou seis metros de altura, assemelhando-se a entradas de palácios...

Uma "simples" porta de Gênova.

 Essa riqueza arquitetônica espalha-se por toda parte e dá mostras do antigo poder da cidade que guerreou contra inúmeras outras da região, dentre elas Veneza, quando essas mesmas cidades eram capitais de países independentes, muito antes de se unirem como um único país sob o nome de Itália.
O porto de Gênova é o coração da cidade e origem do poder e riqueza que fizeram dela a maior potência naval do mundo nos séculos XI e XII. Mas esse porto foi modernizado e surgiram ali excelentes restaurantes e elegantes casas de comércio.
Construiu-se nessa na região do porto, o maior aquário da Europa. Tive a oportunidade de visitá-lo, o que é uma experiência tão impressionante que um livro inteiro para descrevê-lo seria pouco.
Em suma, uma visita a Gênova é quase um passeio pela grandeza do próprio Universo.

Ilustrações originais: Foto 1 – À direita, a casa de Colombo. Ao fundo, as torres da Porta Soprana. Foto 2 – Uma “simples” porta do centro de Gênova.

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Francisco Souto Neto: CAIRO, CIDADE BARULHENTA E OUTROS SENÕES...


Jornal Centro Cívico – Ano 4 – Maio 2006 – Nº 32.
Diretor-presidente: José Gil de Almeida

Página 10:


Capa:



Jornal Água Verde – Ano 14 – Maio 2006 – Nº 297
Diretor-presidente: José Gil de Almeida

Página 8:

Capa:




CAIRO, CIDADE BARULHENTA E OUTROS SENÕES...
Francisco Souto Neto


            Quem ainda não esteve no Cairo, não pode imaginar como é barulhenta a capital do Egito, país localizado ao Nordeste da África. Uma das maiores do mundo, quase do tamanho de São Paulo, é incrível que a cidade não conte com semáforos. É isso mesmo: não há semáforos no Cairo. O trânsito é uma confusão total, os pedestres atravessam as ruas correndo por qualquer lugar, e os carros, quase aos pinotes, fazem ziguezagues para não atropelá-los. Impera a buzina!

O Hotel El-Gezirah Sheraton Towers.
Em primeiro plano, detalhes de uma
feluca no Rio Nilo.

            Fiquei hospedado no 26º andar do El-Gezirah Sheraton Towers, construído na ponta de uma ilha do Rio Nilo, no centro da capital, de cuja sacada podia-se observar, no distante horizonte, a silhueta das três grandes pirâmides de Guizé. Das margens do rio, elevava-se o barulho muito alto de milhares de buzinas soando estridentes ao mesmo tempo, numa estranha e interminável sinfonia.

Andando pelo Cairo

            Em face do que acabo de expor, imagine-se o que será para o pedestre ocidental, andar pelas ruas da tumultuada capital do Egito! Eu viajava na companhia de Rubens Faria Gonçalves e, aventureiros como sempre, antes mesmo dos passeios obrigatórios às maravilhosas pirâmides, ao fascinante Museu do Cairo e às riquíssimas mesquitas, deixamos o hotel para irmos sentir a cidade a pé. Contudo, após atravessarmos a ponte da ilha em direção a uma das margens Nilo, detivemo-nos porque não conseguíamos passar para o outro lado da larga avenida. Os egípcios, incluindo senhoras, crianças e idosos, atravessavam-na correndo, desviando-se dos veículos que não diminuíam a velocidade e que ainda buzinavam sobre eles. Depois de algum tempo ali parados e observando aquela incrível confusão, ouvimos sobre os nossos ombros uma frase em inglês: Where are you from? (De onde vocês são?). Respondemos em inglês: “Somos do Brasil”. O egípcio, sem qualquer cerimônia, puxou-nos pelos braços, exclamando sempre em inglês: “Aqui tem que ser assim...”, e lá fomos os três, correndo como doidos, entre os veículos desvairados, parando, desviando, pulando para trás e correndo novamente, até chegarmos ao outro lado. Agradecemos ao senhor egípcio pela ajuda, e pretendíamos continuar nosso caminho, mas o homem mostrou-se curioso a nosso respeito.
            Embora tenhamos que ser sempre muito desconfiados quando em países estranhos, ouvimos aquele senhor dizer-nos que ele era um artista plástico e fazia questão de que víssemos sua exposição localizada a apenas cinquenta metros dali. Como aquela era uma das mais movimentadas avenidas do Cairo, com lojas e burburinho de pedestres semelhante ao do Ocidente, e também porque o egípcio era um senhor muito bem educado, achamos que seria interessante vermos esse aspecto cultural da cidade que queríamos conhecer. Não imaginávamos que, ao segui-lo, viveríamos uma experiência estranha e surrealista.

Questão cultural

Entramos, e não se tratava de uma galeria de arte, mas de uma simples residência. Aquele senhor rapidamente mostrou-nos um monte de pinturas no estilo egípcio antigo, sobre papiro. Aquilo era um trabalho realmente bonito, porém extremamente comercial, sem grande valor artístico, que poderia ser encontrado em qualquer lugar do mundo, até mesmo no comércio de Curitiba. E o homem não queria apenas exibir os trabalhos, mas vendê-los. Ele era mais um comerciante do que artista, caso artista fosse. Enquanto repetíamos “não, obrigado”, o seu irmão já nos oferecia chá. E não nos permitia sairmos. Ninguém pode imaginar como foi longo o tal episódio. Nós insistíamos: “Estamos apenas passeando e sem dinheiro para fazer compras”. O egípcio que não se conformava, tirou os óculos de sol das mãos do meu amigo, fazendo-lhe uma proposta: “Bonitos óculos. Quer trocá-los pela pintura”?
A esta altura, Rubens Gonçalves tomou de volta o seu pertence e me aconselhou: “Vamos sair imediatamente!”. Levantamo-nos, dissemos decididamente aos irmãos egípcios: Thank you and goodbye, atravessamos a porta, o jardim, e rapidamente ganhamos a rua. A dupla corria atrás de nós com os papiros, falando-nos em inglês que nos ofereciam um bom desconto... Mas não lhes demos atenção, afastando-nos muito depressa, quase correndo e sem olhar para trás.

Where are you from?

Na verdade, aqueles egípcios eram boas pessoas. O que ocorre é a eterna questão cutural: no Egito, e em outros países de raízes semelhantes, aquilo que para nós chega a ser uma invasão de privacidade, para eles é normal e habitual. É assim mesmo que eles vendem seus produtos: forçando, empurrando, até propondo troca por objetos pessoais dos turistas. Nós, entretanto, não queríamos perder tempo com aquilo que não nos interessava, para assim podermos bem aproveitar a estada naquele berço de civilizações, país extraordinário. Mas a partir daquele dia, fizemos um trato: ignorar a todos os Where are you from? que ouvíssemos no Egito, mesmo que assim parecêssemos mal educados.
E foram dezenas de Where are you from? que escutamos durante a estada no Egito. Jovens, velhos, todo tipo de pessoas a repetir a pergunta. Fingíamos não entender, e eles continuavam insistindo: Français? Italiano? Português? Español? Arre, que pessoas espertas... e poliglotas. Aquela gente é que sabe negociar. Ou talvez sejamos nós os ignorantes por não aceitarmos aquele tipo de “arte”, que é o da venda forçada e da persuasão.

Francisco Souto Neto na cidade do Cairo.

Francisco Souto Neto e Rubens Faria Gonçalves
visitam a Mesquita de Alabastro, na cidade do Cairo.

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