quinta-feira, 25 de agosto de 2011

SUÍÇA, O LUGAR MAIS BONITO DO MUNDO por Francisco Souto Neto


SUÍÇA, O LUGAR MAIS BONITO DO MUNDO
por Francisco Souto Neto


Folha do Batel Ano 4 – Outubro 2003 – Nº 45
Diretor-presidente: José Gil de Almeida

Página 4:


Capa:



SUÍÇA, O LUGAR MAIS BONITO DO MUNDO
Francisco Souto Neto

Muitas vezes perguntam-me que lugar considero o mais bonito do mundo. Respondo sempre sem titubear: é a Região do Jungfrau (Jungfrau Region), Oberland Bernês (Berner Oberland), no coração da Suíça, onde a Natureza se exibe da maneira mais exuberante que se possa imaginar.
O Oberland Bernês é um maciço montanhoso dos Alpes. A mais importante cidade da região é Interlaken, situada entre os lagos Thun e Brienz, ponto de partida para dezenas de passeios. Poucos lugares do planeta encerram tantas e diferentes maravilhas, não só naturais, como também construídas pelo homem.

A cidade de Interlaken (Suíça) com as montanhas
Eiger, Monch e Jungrau ao fundo.

Este mapa da Região do Jungfrau mostra a cidade de
Interlaken, que fica entre dois lagos, e algumas das muitas
atrações para serem visitadas. A seta vermelha está
indicando a estação final da estrada de ferro mais alta da
Europa, que leva a Junfraujoch, "O Topo da Europa".

Interlaken
A cidade de Interlaken, extremamente limpa e ajardinada como todas as demais da Suíça, é onde os turistas podem hospedar-se para excursionar pela região. Os hotéis contam-se às dezenas, e os mais caros são verdadeiros palácios construídos no século XIX. O Victoria-Jungfrau Hotel, por exemplo, hospedou o imperador brasileiro D. Pedro II. Erguido no nº 41 da Höheweg, a principal avenida, ao passar em frente ao mesmo, nunca deixei de observar, através dos janelões, o cintilar dos lustres de cristal e os detalhes dourados em paredes e portas. Por uma só vez hospedei-me em Interlaken, no Carlton Hotel, situado no nº 82 da mesma Höheweg. Em outros anos fiquei durante alguns dias em Lauterbrunnen, a apenas 18 quilômetros de Interlaken, e por duas vezes na antiga cidade de Berna, não só capital do Oberland Bernês, mas também da própria Suíça.


Hotel Carlton de Interlaken. Rubens Gonçalves pode ser
visto acenando da sacada do apartamento no 5º andar,
na esquina do prédio.


Rubens Gonçalves à beira do Rio Aar, em Interlaken.

Rubens Gonçalves filmando o trem que passa às margens do Aar, Interlaken.

Lauterbrunnen

            Meu companheiro de muitas viagens, Rubens Faria Gonçalves, costuma dizer que a imagem mais próxima que ele possa fazer do Paraíso, é o Vale de Lauterbrunnen, e eu acho que ele em nada exagera. É que Lauterbrunnen situa-se num vale que, na última Idade do Gelo, foi fundo de uma gigantesca geleira. Com cerca de dois quilômetros de largura na sua base coberta de pastagens e de flores, por um comprimento de talvez uns 20 quilômetros, os paredões de ambos os lados erguem-se abruptamente, verticais, a mais ou menos 400 metros, dos quais caem cascatas espetaculares. Devido à altura, as águas parecem cair em câmara-lenta. A mais importante das cerca de trinta cascatas chama-se Staubbach, que Goethe comparou com a “cauda do pálido cavalo que a Morte monta no Apocalipse”. As águas, ao caírem através de centenas de metros, formam milhões de gotas suspensas no ar.


Passeio ao redor de Lauterbrunnen. A seta indica o Hotel Oberland.
À esquerda da foto, vê-se a cascata "Cauda do Cavalo do Apocalipse".


Souto Neto em Allmendhubel,
arredores de Lauterbrunnen.


Rubens Gonçalves em Allmendhubel,
próximo a Lauterbrunnen.


Souto Neto nas trilhas de Allmendhubel,
perto de Lauterbrunnen.

Trümmelbachfälle
Se a Cascata de Staubbach impressiona pela extrema beleza, as Quedas de Trümmelbachfälle, a três quilômetros de Lauterbrunnen – 45 minutos a pé – assustam o visitante. Ao chegar ao Parque de Trümmelbach, toma-se um elevador construído há pouco mais de um século e sobem-se cerca de 150 metros, onde está a entrada cavada na rocha, que leva às galerias naturais dentro da montanha, para se admirar as Quedas de Trümmelbach através de imensas fissuras cavadas pela própria água ao longo de milhões de anos. Em alguns lugares o caminho é muito estreito e tão escuro, que a luz elétrica é mantida acesa ininterruptamente. As cachoeiras no interior da montanha caem ao lado do visitante, em remoinhos, batendo pelas paredes e fissuras abaixo, num ruído tão ensurdecedor que não se ouve a própria voz. É preciso comunicar-se aos gritos. Percebe-se muito bem, e sem exagero, que toda a montanha estremece com a violência das águas. Ao sair dos subterrâneos, o visitante, semi-encharcado, chega a agradecer pelo sol brilhando generosamente sobre a quietude do vale, e pelo perfume das flores.


Souto Neto ao lado do Hotel Oberland, com a cascata
"Cauda de Cavalo do Apocalipse" ao fundo, momentos antes
de iniciar a caminhada rumo às Quedas de Trümmelbach.


Francisco Souto Neto no vale alpino de Lauterbrunnen,
caminhando em direção a Trümmelbachfalle.


Rubens Gonçalves e Souto Neto, em foto tirada por câmera
automática sobre tripé, no caminho rumo a Trümmelbachfalle.


Em Trümmelbach, o cartaz que anuncia o elevador
que leva até à entrada da montanha, em cujo
interior estão as Quedas de Trümmelbach.


Entrando nas grutas onde estão as Quedas de Trümmelbach.
Dentro da gruta, no primeiro salto, havia um arco-íris.


Rubens Faria Gonçalves ao lado de uma quedas no
interior da montanha, que produzia ruído ensurdecedor.

As flores do vale
Os riachos que serpenteiam pelo Vale de Lauterbrunnen são formados por águas do degelo dos cumes porque, acima dos altos paredões, erguem-se as montanhas alpinas que ultrapassam os 4 mil metros. Essas águas são ligeiramente leitosas e de um admirável esverdeado. Os antigos acreditavam que fossem águas criadas pelos deuses das montanhas nevadas. Os donos de alguns dos pequenos bares ao longo das trilhas construídas às margens dos riachos, deixam os caixotes com garrafas de cerveja dentro de tais cursos d’água, para mantê-las geladas.
Nos meses do verão europeu, o Vale de Lauterbrunnen enche-se de flores silvestres multicoloridas e extremamente abundantes. Se alguém fechar os olhos, abaixar-se e levar o dedo em direção ao chão, é bem mais provável que encontre uma flor, e não uma folha da grama. E isso não acontece somente em Lauterbrennen, mas em toda a extensão dos Alpes, desde a França, passando pela Suíça, e seguindo pela Áustria e Itália. A beleza do tapete natural de flores é indescritível.


Rubens Gonçalves no tapete natural de flores,
arredores de Lauterbrunnen.


Francisco Souto Neto e as flores silvestres do vale de Lauterbrunnen.


Rubens Faria Gonçalves em trilha no vale de Lauterbrennen.


Souto Neto em momento de repouso e
contemplação nos arredores de Lauterbrunnen.


Rubens Faria Gonçalves e vacas suíças
de Wengen, arredores de Lauterbrunnen.


Francisco Souto Neto em trilha de Wengen
com vacas suíças, próximo a Lauterbrunnen.

Aí está o que considero importante: é o viajante estar livre dos tais “pacotes turísticos” para poder dispor do seu tempo como quiser. Passear pelas trilhas dos vales alpinos floridos, observando os contrastes com os picos nevados nas montanhas circundantes, é uma extraordinária experiência que nos remete ao transcendental. Meu amigo Rubens está coberto de razão: Lauterbrunnen é uma visão do Paraíso!

O topo da Europa
Passeio previsto para um dia inteiro é o que se faz de trem partindo de Interlaken, passando por Grindelwald, até Jungfraujoch, estação de trem encravada na montanha, à altitude de 3.475 metros. É a mais alta estrada de ferro da Europa. Os últimos 10 quilômetros são feitos em cremalheira, no caminho férreo escavado por dentro da rocha. Antes de o trem chegar ao destino, faz duas paradas em diferentes lados da montanha, para que os passageiros possam descer por uns instantes do comboio, e apreciar o panorama através de imensos janelões envidraçados, abertos de dentro para fora da montanha. Essa estrada de ferro com seu extenso túnel é considerada uma das maravilhas da Engenharia. Sua construção começou em 1896 e a estação de Jungfraujoch foi inaugurada em 1º de agosto de 1912. Esse ponto final da ferrovia localiza-se no interior da montanha. Após desembarcar, anda-se pelo Túnel Sphinx com mais de cem metros de extensão, ao fim do qual está a saída para o ar livre, num vasto topo coberto de neves eternas.


Souto Neto no Jungfrau, a quase 4000 metros de altitude,
sem muito frio, entre esquiadores e cães-esquimós.


Rubens Faria Gonçalves pouco acima do local onde
os cães-esquimós (Husky Siberiano) puxam os trenós.


Atrás de Francisco Souto Neto vê-se, no alto
do pico, o Observatório Sphinx.


Rubens Faria Gonçalves com o complexo turístico do
Jungfrau à direita da foto. Pode-se também ver, na
parte mais alta, o Observatório Sphinx.


Corredor do Palácio do Gelo (ou Museu de Gelo),
escavado na geleira eterna do Jungfrau, onde
absolutamente tudo é de gelo.

Além de ser possível andar pelos caminhos abertos na própria neve por tratores especiais, há alguns tipos de diversão. Por exemplo, numa pista em forma de um “8”, cães da raça Husky Siberiano puxam os turistas em trenós. Retornando-se ao Túnel Sphinx, pode-se tomar um elevador que ascende até a um observatório construído a 3.571 metros. Na outra extremidade do mesmo túnel, desemboca-se num imenso restaurante e lanchonete denominado Top of Europe e, em determinado local, há uma entrada escavada na geleira do Jungfrau, que leva a um dos mais pitorescos museus do mundo: o Museu de Gelo. Corredores, paredes, teto, escadas... tudo foi entalhado no gelo eterno. Esse museu abriga esculturas... obviamente de gelo: formas de animais, figuras abstratas, e até... um Sherlock Holmes!
Estive em Jungfraujoch em 1993 e 1995, e guardo ainda a esperança de um dia retornar às neves e ao gelo eterno da extraordinária montanha.
Eu aqui me referi a apenas três atrações turísticas do Oberland Bernês (Berner Oberland), porém há mais, muito mais. Há ali dezenas de outras maravilhas não menos espetaculares. Somando-se todas essas belezas a um povo educado, rico e privilegiado por viver num país onde não existe violência urbana e assaltos são raríssimos, quase inexistentes, não há como não afirmar que ali deve ser, mesmo, o Paraíso Terrestre.

-o-


5 comentários:

  1. Como faço para ir de INTERLAKEN até TRUMMELBACH?

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    1. É muito fácil ir de Interlaken a Trümellbach Fals. Em Interlaken há duas estações de trem, que são a Ost e a West. Na estação Ost tome um trem para Lauterbrunnen. Nessa maravilhosa localidade de Lauterbrunnen, é só seguir a pé pela rua principal, que logo de transforma em estrada (onde raramente passam carros), e a uma distância de uns 2 quilômetros chega-se a Trümmelbach. Sobe-se de elevador, onde começam os caminhos dentro da montanha através das tremendas quedas d'água. A segunda foto que coloquei acima, é o mapa da Região de Jungfrau, onde dá para ver a localização dos lugares que mencionei. Mais adiante, tem foto até do cartaz do elevador de Trümelbach. Caro Anônimo, divirta-se muito, pois esse passeio (na primavera ou no verão europeu) é umas das mais belas experiências de toda vida.

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  2. Amei,fiz uma viagem mesmo,cada lugar mais lindo que outro,obrigada por proporcionar tanta maravilha.

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